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BSC Argentina

Envase de líquidos corrosivos: materiais e segurança

Envasar ácidos, álcalis e agroquímicos corrosivos exige mais do que uma boa máquina: os materiais em contato, o sistema de dosagem e as medidas de segurança definem se a linha dura anos ou falha em meses.

Por María Antorena · Ingeniera Hidráulica · especialista en Computational Fluid Dynamics (CFD)

Mecanismos de corrosão que é preciso antecipar

Antes de escolher materiais, convém saber como o equipamento falha. Em líquidos corrosivos aparecem três mecanismos típicos: a corrosão por pite (pitting), que os cloretos disparam sobre o aço inoxidável; a corrosão por frestas (crevice), que se concentra em juntas, roscas e zonas de estagnação; e o ataque químico direto sobre os elastômeros de vedações e guarnições.

Quão agressivo é um produto depende do seu pH, do seu poder oxidante, da presença de halogenetos (cloretos, fluoretos) e da temperatura de trabalho: um mesmo material pode resistir a um ácido diluído a frio e falhar com esse mesmo ácido concentrado e quente.

  • Pite (pitting): cloretos sobre o inoxidável.
  • Frestas (crevice): juntas, roscas e zonas sem fluxo.
  • Ataque a elastômeros: vedações e guarnições.

Seleção de materiais por compatibilidade química

O aço inoxidável AISI 316L é a base para as partes em contato: seu teor de molibdênio dá melhor resistência ao pite por cloretos do que o 304, que fica reservado ao chassi. Quando o inoxidável não basta —por exemplo com ácidos redutores fortes ou hipoclorito concentrado—, as partes de contato são resolvidas em PVC, titânio ou outros materiais conforme o caso.

Nas vedações e guarnições a escolha importa tanto quanto o metal: o teflon (PTFE) é o de espectro mais amplo; o Viton (FKM) resiste bem a ácidos e hidrocarbonetos; o EPDM vai com produtos polares e bases, mas não com óleos. Além disso, a tubulação é unida com solda orbital TIG e respaldo de argônio para evitar zonas sensibilizadas onde a corrosão começaria.

  • Contato: AISI 316L; chassi: AISI 304.
  • Alternativas conforme o produto: PVC, titânio.
  • Vedações: PTFE (amplo), Viton/FKM (ácidos, hidrocarbonetos), EPDM (polares e bases, não óleos).

Dosagem com partes molhadas resistentes

A Série LA MAGC dosa com medidor de vazão eletromagnético Endress+Hauser. Medindo pelo princípio de Faraday, não tem partes móveis dentro do fluido: o revestimento interno (liner) e os eletrodos são selecionados resistentes ao produto, o que reduz o desgaste e o risco de contaminação.

O produto circula por tubulações fechadas, sem tanque aberto, o que evita aeração, evaporação e derrames. O sistema antigotejamento com bandeja retrátil contém respingos em cada ciclo, um ponto crítico ao manusear ácidos ou agroquímicos.

Limpeza CIP/SIP e contenção do produto

A limpeza é CIP/SIP com sistema autodrenante e programa automático: o circuito é lavado e, se for o caso, esterilizado sem desmontar nenhum elemento. Assim o operador não precisa abrir a máquina nem entrar em contato com resíduos corrosivos, e não ficam bolsões de produto estagnado, que é justamente onde começaria a corrosão por frestas.

Segurança com inflamáveis: classificação ATEX

Muitos corrosivos são também inflamáveis (solventes, certos agroquímicos). Nesses casos a máquina é fabricada em versão ATEX (antiexplosiva), pensada para trabalhar em atmosferas classificadas, com aterramento e componentes que não geram fontes de ignição. A ficha de segurança (FISPQ/SDS) do produto é o documento de referência: define materiais compatíveis, temperatura de trabalho e precauções, e convém tê-la desde o início do projeto.

Perguntas frequentes

Que aço se usa para líquidos corrosivos?+

As partes em contato com o produto são de aço inoxidável AISI 316L e o chassi de AISI 304; conforme o produto somam-se PVC, titânio e guarnições em EPDM, Viton ou teflon.

É possível envasar produtos inflamáveis?+

Sim, com a versão ATEX (antiexplosiva), pensada para solventes e inflamáveis em atmosferas perigosas.

Como se limpa uma máquina de corrosivos?+

Com sistema CIP/SIP autodrenante e lavagem automática, sem desmontar nenhum elemento e sem expor o operador ao produto.

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